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O Estado de São Paulo - 10/02/2011 | INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Em janeiro a nova política cambial teve pouco efeito
AUMENTAR A LETRA DIMINUIR A LETRA
A retomada, pelo Banco Central (BC), das intervenções no mercado cambial, por meio de operações de swap reverso, não parece ter tido grande efeito para conter a valorização do real ante o dólar no mês de janeiro. Pelo menos é o que se pode concluir de um fluxo cambial positivo de US$ 15,513 bilhões, o mais alto registrado desde junho de 2007.


No segmento financeiro, que registra os investimentos diretos em títulos e ações, os empréstimos e a remessa de lucros, para citar as operações mais comuns, apurou-se um saldo positivo de US$14,435 bilhões, ante um saldo negativo de US$ 2,428 bilhões no mês anterior. No segmento comercial, o saldo foi positivo em US$ 1,077 bilhão, contra US$ 509 milhões em dezembro.

Não aparecem nesses dados valores que permitam concluir pela eficácia das novas medidas adotadas pelo BC, sejam as intervenções diretas (compras no mercado à vista), sejam as indiretas, como o swap reverso ou a compra no futuro, direta ou por meio do Fundo Soberano do Brasil.

Convém notar que houve uma mudança importante na posição anterior dos bancos, que caiu de US$ 18,7 bilhões, em dezembro, para US$ 11 bilhões, em janeiro, em razão das medidas prudenciais que obrigam as instituições financeiras a manter maiores coberturas para operações vendidas, que sempre constituem um fator que favorece a taxa cambial mais valorizada.

As compras no mercado à vista do BC aumentaram as reservas, no mês de janeiro, em US$ 7,992 bilhões, lembrando que são operações que têm um custo elevado por causa do descasamento entre a remuneração das reservas e a colocação de títulos da dívida pública, para evitar um excesso de liquidez.

Em fevereiro, parece que a atuação do BC no mercado futuro foi mais importante, sendo oportuno lembrar que esse tipo de intervenção tem a vantagem de não exigir medidas imediatas para neutralizar um aumento de liquidez.

Os dados divulgados sobre o fluxo cambial até dia 4 de fevereiro parecem indicar uma melhoria da situação, com um saldo positivo de apenas US$ 39 milhões, sendo um fluxo financeiro negativo de US$ 118 milhões e um fluxo comercial positivo de US$ 157 milhões. Os fluxos financeiros estão recuando, o que parece refletir a eficácia das medidas tomadas pelo BC, enquanto a melhoria do fluxo comercial indica o aumento dos preços das commodities. É possível que a insistência do BC no mercado futuro comece a produzir resultados nas cotações do mercado à vista.
 
 
   

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